De 2005 até hoje: A cronologia da investigação ao caso Jeffrey Epstein
As investigações policiais e judiciais sobre as alegações de abusos sexuais de menores cometidos pelo milionário norte-americano Jeffrey Epstein decorreram ao longo de quase duas décadas.
Agora, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou 3,5 milhões de documentos, que compõem a visão mais detalhada, embora incompleta, do funcionamento interno da rede criada por Epstein e a confidente e cúmplice Ghislaine Maxwell.
Esses documentos incluem alguns dos primeiros relatórios da polícia de Palm Beach (Florida), gravações de algumas das vítimas de Epstein e e-mails internos do Departamento de Justiça de há apenas alguns meses.
Segue uma cronologia desde o início das investigações sobre Epstein e dos esforços para abrir os arquivos do governo norte-americano:
Março de 2005 - A polícia de Palm Beach começou a investigar Epstein, na sequência de uma denúncia de agressão sexual apresentada pela família de uma adolescente de 14 anos.
Várias menores de idade, muitas estudantes do ensino médio, disseram mais tarde à polícia terem sido contratadas por Epstein para fazer massagens sexuais.
Maio de 2006 - Autoridades policiais apresentaram documentos para acusar Epstein de várias acusações de sexo ilegal com menores, mas o procurador estadual Barry Krischer enviou o caso para um grande júri.
Julho de 2006 - Epstein foi preso depois de indiciado por solicitação de prostituição. A acusação relativamente menor irritou os responsáveis da polícia de Palm Beach, que acusaram publicamente Krischer de dar tratamento especial a Epstein. A polícia federal (FBI) iniciou uma investigação.
2007 - Os procuradores federais prepararam uma acusação, mas durante um ano os advogados de Epstein mantiveram conversações com o procurador federal em Miami, Alexander Acosta, sobre um acordo para evitar um processo federal.
Junho de 2008 - Epstein declarou-se culpado das acusações estaduais, a saber, uma acusação de solicitação de prostituição e uma acusação de solicitação de prostituição de menores de 18 anos. Foi condenado a 18 meses de prisão. Sob um acordo secreto, o Ministério Público Federal concordou em não processar Epstein por crimes federais. Epstein cumpriu a maior parte de pena no âmbito de um programa de trabalho externo que permite saídas diurnas da prisão.
Maio de 2009 - Uma das acusadoras de Epstein, Virginia Roberts Giuffre, entrou com uma ação judicial, alegando que Epstein e Maxwell a forçaram a manter relações sexuais com "membros da realeza, políticos, académicos, empresários" e outros. A ação judicial não citou os nomes dos homens.
Julho de 2009 - Epstein foi libertado da prisão. Durante a década seguinte, as acusadoras de Epstein travaram uma batalha judicial para anular o acordo federal de não acusação.
Março de 2011 - O jornal Daily Mail publicou uma entrevista com Giuffre na qual descreveu ter viajado com Epstein para Londres aos 17 anos e passado uma noite a dançar com o antigo príncipe André. A história e uma foto do então príncipe com o braço em volta de Giuffre criaram uma crise para a família real. Posteriormente, agentes do FBI entrevistam Giuffre.
Dezembro de 2014 - Os advogados de Giuffre entraram com uma ação judicial, alegando que a então adolescente manteve relações sexuais com André Mountbatten-Windsor e outros homens, incluindo "presidentes estrangeiros, um primeiro-ministro conhecido e outros líderes mundiais". Todos esses homens negaram as acusações.
Novembro de 2018 -- O jornal Miami Herald publicou uma série de reportagens sobre o tratamento do caso Epstein e o papel de Acosta, aqui já secretário do Trabalho no primeiro mandato (2017-21) de Donald Trump. Esta cobertura veio intensificar o interesse público em Epstein.
Dezembro de 2018 - Agentes do FBI e o Ministério Público Federal em Manhattan iniciaram uma nova investigação sobre Epstein.
Julho de 2019 - Epstein foi preso sob novas acusações de tráfico sexual apresentadas pelos promotores de Nova Iorque, que concluíram não estarem vinculados ao acordo anterior de não acusação, estabelecido entre o arguido e as autoridades da Florida. Dias depois, Acosta renunciou ao cargo de secretário do Trabalho.
10 de agosto de 2019 - Epstein apareceu morto na cela da prisão em Nova Iorque.
Julho de 2020 - Os procuradores federais em Nova Iorque acusaram Maxwell de crimes sexuais, alegando que ajudou a recrutar e a abusar das vítimas de Epstein.
Dezembro de 2021 - Depois de um mês de julgamento, Maxwell é condenada por tráfico sexual e outros crimes.
Junho de 2022 - Maxwell é sentenciada a 20 anos de prisão.
Janeiro de 2024 - O interesse público pelo caso Epstein ressurgiu depois de um juiz tornar públicos mais registos judiciais num processo relacionado.
20 de janeiro de 2025 - Amigo e vizinho de Epstein durante anos, Trump regressou à Presidência norte-americana. Durante a campanha eleitoral de 2024, Trump sugeriu abrir mais arquivos governamentais sobre Epstein.
Fevereiro de 2025 - A procuradora-geral Pam Bondi sugeriu, numa entrevista ao canal Fox News, ter uma "lista de clientes" de Epstein na sua mesa. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos distribui pastas marcadas como "desclassificadas" a influenciadores de extrema-direita, mas grande parte das informações era já pública há muito tempo.
25 de abril de 2025 - Suicídio de Virginia Roberts Giuffre.
Julho de 2025 - O Departamento de Justiça afirmou que Epstein não mantinha uma "lista de clientes", não prevendo divulgar mais arquivos relacionados com a investigação sobre tráfico sexual.
Os congressistas Ro Khanna, democrata da Califórnia, e Thomas Massie, republicano do Kentucky, apresentaram a Lei de Transparência dos Arquivos de Epstein, que obriga o Departamento de Justiça a divulgar arquivos da investigação a Epstein.
O Wall Street Journal noticiou que o nome de Trump é referido numa carta sexualmente sugestiva, incluída num álbum de 2003 para o 50.º aniversário de Epstein. Trump negou ter escrito a carta e processou o jornal.
24 e 25 de julho de 2025 - Num esforço para acabar com a crise política, o vice-procurador-geral Todd Blanche entrevistou Maxwell, que negou qualquer irregularidade e afirmou nunca ter visto Trump envolvido em qualquer atividade sexualmente inadequada. Depois disso, foi transferida de uma prisão de segurança mínima na Florida para um campo de presos de segurança mínima no Texas.
Outubro de 2025 - As memórias póstumas de Giuffre são publicadas. Nelas, reiterou as alegações de que Epstein e Maxwell a traficaram sexualmente para homens poderosos, incluindo André Mountbatten-Windsor.
30 de outubro de 2025 -- O Rei Carlos III retirou a André o título de "príncipe" e determinou que saia da residência real.
Novembro de 2025 - Uma comissão da Congresso divulgou uma série de e-mails trocados entre Epstein e outras pessoas, incluindo Mountbatten-Windsor, o aliado de Trump Steve Bannon, o ex-secretário do Tesouro Larry Summers e o fundador do LinkedIn Reid Hoffman. Num e-mail de 2019, enviado a um jornalista, Epstein escreveu que Trump "sabia sobre as raparigas", sem explicar o que isso significava.
A pedido de Trump, Bondi anunciou que o procurador federal de Manhattan vai investigar as ligações de Epstein com alguns dos adversários políticos do republicano, incluindo o antigo presidente Bill Clinton (democrata), Summers e Hoffman, um proeminente doador democrata. Nenhum desses homens foi acusado de má conduta pelos acusadores de Epstein.
O Congresso dos Estados Unidos aprovou a Lei de Transparência dos Arquivos de Epstein. Trump assinou a lei no dia seguinte.
Dezembro de 2025 - O Departamento de Justiça começou a divulgar os registos. O lote incluiu fotografias que Epstein mantinha em casa com vários famosos, que conheceu ao longo dos anos, incluindo Trump e Clinton. Depois de divulgar apenas uma pequena parte dos documentos disponíveis, porém, o Departamento de Justiça suspendeu as divulgações, alegando precisar de mais tempo para analisar os registos.
Janeiro de 2026 - O Departamento de Justiça começou a divulgar o que Blanche disse serem mais de 3 milhões de páginas de documentos, 2.000 vídeos e 180.000 imagens. Os arquivos são publicados no site do departamento.
Polícia faz buscas a propriedades ligadas a Peter Mandelson no caso Epstein
A polícia britânica realizou hoje buscas em duas propriedades ligadas ao antigo embaixador do Reino Unido em Washington Peter Mandelson, no âmbito da investigação a uma alegada má conduta resultante das ligações ao falecido Jeffrey Epstein.
A polícia adiantou que as buscas foram feitas em Wiltshire (sudoeste de Inglaterra) e no bairro de Camden, em Londres, em propriedades pertencentes a Mandelson, suspeito de ter transmitido informações financeiras confidenciais ao criminoso sexual norte-americano Jeffrey Epstein, encontrado morto na cela duma prisão em Nova Iorque a 10 de agosto de 2019, de acordo com um comunicado.
As buscas estão relacionadas com "a investigação em curso contra um homem de 72 anos, por infrações relacionadas com uma falta no exercício de uma função oficial" e o indivíduo em causa "não foi detido", disse a polícia.
A vice-comissária assistente da Polícia Metropolitana, Hayley Sewart, afirmou que vários agentes da equipa central de crimes especializados "estão a executar mandados de busca" nas duas moradas.
"As buscas estão relacionadas com uma investigação em curso a crimes de má conduta em funções públicas, envolvendo um homem de 72 anos", acrescentou.
Mandelson, de 72 anos, possui residências nas duas moradas em causa.
As autoridades estão a investigar Mandelson na sequência de documentos que sugerem que terá transmitido informações governamentais sensíveis a Epstein há cerca de 15 anos. Mandelson não foi detido nem formalmente acusado.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, enfrenta uma tempestade política devido à decisão tomada em 2024 de nomear Mandelson como embaixador do Reino Unido em Washington.
Na terça-feira, a polícia abriu uma investigação depois de documentos dos dossiês Epstein parecerem indicar que Mandelson terá transmitido ao consultor financeiro norte-americano informações suscetíveis de influenciar os mercados, nomeadamente quando era ministro no Governo trabalhista de Gordon Brown, entre 2008 e 2010.
No mesmo dia, Brown afirmou ter transmitido à polícia "informações relevantes" relativas à divulgação por Mandelson a Epstein de "dados sensíveis para os mercados financeiros" e de "informações governamentais confidenciais".
Um "ato indesculpável e antipatriótico", disse o antigo primeiro-ministro britânico.
O primeiro-ministro trabalhista tem sido alvo de críticas, sendo questionado sobre o que sabia destas ligações quando, em dezembro de 2024, nomeou Mandelson embaixador em Washington. Starmer acabou por o exonerar em setembro de 2025, após revelações anteriores constantes do dossiê Epstein.
Na quinta-feira, Keir Starmer apresentou desculpas às vítimas de Epstein por ter nomeado Mandelson, mas afirmou estar determinado a manter-se em Downing Street.
"Lamento ter acreditado nas mentiras de [Peter] Mandelson e tê-lo nomeado. Sabia-se há algum tempo que Mandelson conhecia Epstein, mas nenhum de nós conhecia a extensão e a obscuridade dessa relação", acrescentou.
A 30 de janeiro, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos publicou cerca de três milhões de páginas adicionais de documentos relacionados com o criminoso sexual, no âmbito da Lei de Transparência. Neste pacote estão incluídos mais de 2.000 vídeos e 180.000 imagens.
A divulgação dos documentos da investigação a Epstein reacendeu controvérsias que atingem figuras políticas, a realeza britânica e norueguesa e instituições internacionais, com impactos nos Estados Unidos, neste caso envolvendo o Presidente norte-americano, Donald Trump, França, Reino Unido, México, Noruega e Rússia.
Embaixadora norueguesa que terá tido contatos com Epstein renuncia
A embaixadora da Noruega no Iraque e na Jordânia, Mona Juul, renunciou ao cargo devido aos seus contactos com o abusador sexual condenado Jeffrey Epstein, anunciou o Ministério das Relações Exteriores norueguês.
Num comunicado, no qual o executivo da Noruega adianta que a investigação aberta na semana passada está ainda em curso, o Ministério das Relações Exteriores criticou o "grave erro de julgamento" e indicou que será difícil recuperar a confiança necessária em Juul para o cargo.
"É evidente que todo este caso representa um problema de reputação para a Noruega, e não apenas para a sua diplomacia. Todos devem encará-lo com a máxima seriedade", disse hoje o ministro das Relações Exteriores da Noruega, Espen Barth Eide, à emissora pública NRK.
Diversas figuras proeminentes da política norueguesa, incluindo o ex-primeiro-ministro e ex-presidente do Comité Nobel da Paz, Thorbjørn Jagland, e o ex-ministro das Relações Exteriores e atual presidente do Fórum Económico Mundial, Børge Brende, são citados nos documentos de Epstein, assim como a princesa Mette-Marit, esposa do príncipe herdeiro Haakon.
Juul, de 66 anos, fez parte da equipa de negociação dos Acordos de Oslo entre Israel e Palestina em 1993 e trabalhou como embaixadora em Israel, no Reino Unido e na ONU, além de Secretária de Estado.
"A questão fundamental é que a sua situação atual a impede de exercer funções. Isso tem sido um enorme fardo para ela e para a sua família", disse o advogado de Juul, Thomas Skjelbred, à NRK em um comunicado, enfatizando que foi a própria embaixadora quem pediu renúncia.
O Ministério das Relações Exteriores da Noruega abriu outra investigação para revisitar os pagamentos ao Instituto Internacional da Paz (IPI), que foi chefiado durante anos pelo diplomata norueguês Terje Rød-Larsen, marido de Juul e ex-Enviado Especial da ONU para o Oriente Médio.
O Ministério Público da Noruega iniciou outra investigação na semana passada contra Jagland, que também foi Presidente do Conselho da Europa, por contactos com Epstein, após a recente divulgação de novos documentos nos Estados Unidos referentes ao milionário falecido.
A Comissão de Controlo do Parlamento norueguês também está a investigar as ligações entre políticos noruegueses e Epstein.
Ghislaine Maxwell deverá invocar 5.ª Emenda para não falar no Congresso
A ex-companheira de Jeffrey Epstein, Ghislaine Maxwell, deverá invocar a Quinta Emenda para não ter de falar perante o Comité de Supervisão da Câmara dos Representantes, na sequência da divulgação dos arquivos do magnata norte-americano.
A ex-companheira de Jeffrey Epstein, Ghislaine Maxwell, deverá invocar a Quinta Emenda quando tiver de comparecer perante o Comité de Supervisão da Câmara dos Representantes, onde será questionada acerca da sua ligação com o magnata norte-americano.
Ghislaine Maxwell, recorde-se, está a cumprir uma pena de 20 anos após ter sido condenada por tráfico sexual, conspiração e outras acusações em dezembro de 2021.
O presidente do Comité de Supervisão da Câmara dos Representantes confirmou, em janeiro, que Ghislaine Maxwell iria comparecer à sessão.
No entanto, o advogado da ex-companheira de Epstein revelou que a sua cliente iria invocar a Quinta Emenda, tendo citado o recurso em andamento contra a sua condenação no tribunal federal de Manhattan.
"É claro que, como alternativa, se a senhora Maxwell recebesse clemência, estaria disposta - e ansiosa para depor aberta e honestamente, em público, perante o Congresso em Washington D.C.", afirmou o advogado, citado pelo New York Post.
Note-se que o deputado democrata Ro Khanna apresentou sete perguntas que pretendia fazer a Maxwell, incluindo, por exemplo, uma alegação da sua equipa jurídica num documento apresentado em dezembro, de que 29 associados de Jeffrey Epstein assinaram acordos confidenciais de não persecução penal, era "precisa" e se ela revelaria os nomes das pessoas.
O deputado referiu ainda que pretendia questionar Maxwell se ela ou Epstein "alguma vez organizaram, facilitaram ou deram acesso a meninas menores de idade ao presidente Donald Trump".
De salientar que, embora Donald Trump seja mencionado várias vezes nos ficheiros de Jeffrey Epstein, não há evidências de irregularidades.
Ghislaine Maxwell já foi entrevistada durante nove horas ao longo de dois dias em julho pelo vice-procurador-geral Todd Blanche, onde afirmou que "nunca presenciou o presidente em qualquer situação inapropriada" enquanto Donald Trump e Jeffrey Epstein eram amigos.
Recorde-se que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou 3,5 milhões de documentos, que compõem a visão mais detalhada, embora incompleta, do funcionamento interno da rede criada por Epstein e a confidente e cúmplice Ghislaine Maxwell.
Esses documentos incluem alguns dos primeiros relatórios da polícia de Palm Beach (Florida), gravações de algumas das vítimas de Epstein e e-mails internos do Departamento de Justiça de há apenas alguns meses.
Ghislaine Maxwell recusa responder a comité do Congresso sobre Epstein
Ghislaine Maxwell, cúmplice do criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein, recusou hoje responder às perguntas de um comité da Câmara dos Representantes do Congresso norte-americano, invocando o direito constitucional contra a autoincriminação, anunciou o presidente republicano da comissão.
"Como previsto, Ghislaine Maxwell invocou a Quinta Emenda e recusou-se a responder a quaisquer perguntas", explicou James Comer, aos jornalistas após uma breve audição à porta fechada, realizada por videoconferência a partir da prisão no Texas onde a britânica cumpre pena.
Segundo o congressista republicano, o advogado de Maxwell indicou que a sua cliente estaria disposta a testemunhar caso recebesse um indulto presidencial de Donald Trump.
A audição ocorre num contexto de crescente atenção mediática após a divulgação, em 30 de janeiro, de mais de três milhões de documentos relacionados com o caso Epstein pelo Departamento de Justiça norte-americano.
As autoridades norte-americanas avisaram, contudo, que a documentação não contém novas provas suscetíveis de conduzir a acusações adicionais.
Apesar disso, a simples menção de nomes nos documentos tem gerado inquietação entre várias figuras públicas com ligações passadas ao empresário e milionário, condenado por crimes sexuais e que morreu em 2019 numa prisão de Nova Iorque.
Maxwell, de 64 anos, foi condenada em 2022 a 20 anos de prisão por exploração sexual de menores e tenta ainda esgotar os recursos judiciais contra a sentença.
Os advogados de Maxwell exigiam imunidade criminal do Congresso em troca do testemunho, condição que não foi aceite pelo comité da câmara baixa liderado por republicanos.
Numa carta enviada previamente a James Comer, a defesa argumentou que, sem imunidade, a audição não teria "outro propósito que não o puro teatro político e o desperdício do dinheiro dos contribuintes".
O congressista democrata Ro Khanna divulgou entretanto as sete perguntas que pretendia dirigir a Maxwell, mesmo já antecipando que a cúmplice de Epstein não responderia.
Entre elas estava a questão sobre se Maxwell ou Epstein terão facilitado o acesso do Presidente Donald Trump a menores, bem como perguntas sobre eventuais cúmplices e contactos com governos estrangeiros ou serviços de informações.
Epstein morreu numa cela de prisão em 2019, enquanto aguardava julgamento por acusações federais nos Estados Unidos de ter abusado sexualmente de dezenas de mulheres, incluindo menores.
Ficheiros: FBI concluiu que Epstein não liderava rede de tráfico sexual
Agentes do Departamento de Justiça terão escrito que "quatro ou cinco" das pessoas que acusavam Epstein disseram que tinham sido também vítimas de outros homens e mulheres, mas "não havia provas suficientes" para o associar à liderança de uma rede de tráfico.
O FBI concluiu que Jeffrey Epstein não liderava uma rede de tráfico sexual para pessoas em cargos de poder, de acordo com o que mostram os documentos consultados até agora pela Associated Press (AP).
De acordo com o que relembra, este domingo, a AP, o FBI analisou de forma minuciosamente registos bancários e e-mails do magnata, para além de ter feito várias buscas às suas casas e de ter passado vários anos a interrogar as vítimas de Epstein.
Foram também analisadas as relações que o empresário, que morreu em 2019 na prisão, tinha com pessoas em cargos de poder.
Apesar de as investigações policiais e judiciais sobre as alegações de abusos sexuais de menores cometidos pelo milionário já decorrerem ao longo de quase duas décadas, ainda nos dias de hoje se continuam a verificar algumas consequências e revelações - que não devem parar por aqui.
Lá fora, no Reino Unido, Peter Mandelson anunciou que iria abandonar a câmara alta do Parlamento britânico, onde estava. O ano passado, suspendeu funções no final de janeiro de 2025, após ser nomeado para embaixador nos Estados Unidos, posição da qual foi demitido oito meses depois, em setembro, devido a revelações sobre as ligações a Epstein. Foram feitas buscas na casa de Mandelson nos últimos dias.
Também a princesa herdeira da Noruega, Mette-Marit, pediu, esta semana, desculpas às pessoas que diz ter "desiludido", após dias de escrutínio sobre os seus contactos com o falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein, lamentando a situação em que colocou a família real.
Epstein descartado de liderança de rede: Porquê?
Segundo o que escreve a AP, não há dúvidas de que o FBI conseguiu juntar "provas amplas" de que o magnata abusou sexualmente de menores de idade, mas quanto ao liderar uma rede de tráfico sexual, as provas já serão, na perspetiva desta autoridade, escassas.
A análise da AP é feita a partir de registos internos do Departamento de Justiça. Um promotor terá escrito em 2025, de acordo com a agência de notícias, que os vídeos e fotografias que foram apreendidos nas casas de Epstein - tanto em Nova Iorque, como no estado norte-americano da Florida ou nas Ilhas Virgens Americanas - não mostravam as vítimas a serem sexualmente abusadas.
Quanto às análises aos registos bancários de Epstein - incluindo pagamentos que ele fez a entidades ligadas a figuras influentes no meio académico, financeiro e diplomático global - não foram também encontradas nenhumas ligações a atividades criminosas, de acordo com outro memorado do Departamento de Justiça dos EUA redigido em 2019.
A AP aponta ainda que os registos mostram que pelo menos uma vítima tornou público que Epstein a "emprestava" aos amigos ricos, os agentes do FBI não conseguiram confirmar essa informação, assim como nenhuma das outras vítimas ouvidas lhes terá contado algo semelhantes.
Em jeito de balanço quanto à investigação, os agentes responsáveis escreverem, em julho passado, um e-mail a dar conta de que a "quatro ou cinco" das pessoas que acusavam Epstein disseram que outros homens e mulheres abusaram delas. Mas, escrevem os agentes, "não havia provas suficientes para acusar estes indivíduos no panorama federal, portanto os casos foram encaminhados autoridades locais."
Como tudo começou?
Recorde-se que Epstein começou a ser investigado em 2005, quando os pais de uma adolescente de 14 anos fizeram queixa às autoridades, dizendo que a filha tinha sido vítima de abuso por parte de um milionário em Palm Beach, na Florida.
Com o decorrer das investigações, as autoridades identificaram 35 raparigas que tinha histórias semelhantes, e no âmbito das quais recebiam entre 200 a 300 dólares para dar ao milionário massagens com cariz sexual.
O FBI juntou-se aí à investigação, e foram elaboradas acusações contra Epstein e alguns assistentes do milionário, que teriam organizado as visitas e pagamentos. O milionário fez, no entanto, um acordo que permitiu que se declarasse culpado de aliciamento de prostituição de menores de idade e foi condenado a 18 meses de prisão, tendo saído em 2009.
O caso voltou às manchetes em 2018 e em Nova Iorque voltaram a ser investigados episódios já denunciados, com Epstein a ser detido novamente, já em 2019. Na prisão, tirou a sua própria vida.
Vítimas de Epstein pedem divulgação total de ficheiros: "Estamos juntos"
As vítimas de Jeffrey Epstein surgiram num vídeo, com cerca de 40 segundos, para pedir que os ficheiros do criminoso sejam divulgados na totalidade pelo Departamento da Justiça dos Estados Unidos.
As vítimas do predador sexual Jeffrey Epstein apareceram num vídeo para pedir que sejam divulgados todos os arquivos do magnata norte-americano. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos, recorde-se, tem vindo a divulgar vários documentos desde o final do ano passado.
O apelo foi feito num vídeo do grupo World Without Exploitation, com cerca de 40 segundos, divulgado no domingo, dia em que aconteceu o Super Bowl.
As vítimas exibiram fotografias de quando eram mais jovens e disseram: "Todos nós merecemos a verdade".
De notar que o Departamento de Justiça foi obrigado por lei a tornar públicos os ficheiros de Jeffrey Epstein em dezembro do ano passado. No entanto, há documentos que surgem com muitas partes censuradas.
O departamento afirmou que os arquivos não publicados eram irrelevantes, duplicados ou haviam sido retidos em virtude do processo deliberativo, sigilo entre advogado e cliente, ou ainda porque retratavam violência.
Por seu turno, o vice-procurador-geral dos Estados Unidos, Todd Blanche, disse, no mês passado, que a mais recente divulgação dos ficheiros, no dia 30 de janeiro, "marca o fim de um processo muito abrangente de identificação e revisão de documentos".
Já o vídeo partilhado no domingo começa com o seguinte texto: "A 19 de dezembro de 2025, a Lei da Transparência dos ficheiros de Epstein foi sancionada. [...] Três milhões de documentos ainda não foram divulgados".
Nas imagens, é possível ver várias sobreviventes com marcas pretas a tapar-lhes as bocas e, dirigindo-se para a câmara, cada uma disse:
"Estamos juntos".
O vídeo terminou com um apelo das vítimas para que as pessoas fiquem do lado delas e para que dissessem à procuradora-geral Pam Bondi que "chegou a hora da verdade".
De salientar que o vídeo foi partilhado no dia em que decorreu o Super Bowl, mas o anúncio não foi exibido em nenhuma televisão durante o jogo.
O grupo World Without Exploitation explicou à agência Reuters que não tinha como exibir o vídeo num dos maiores eventos desportivos dos Estados Unidos , uma vez que um vídeo de 30 segundos poderá custar "mais de 8 milhões de dólares" (cerca de seis milhões de euros).
Jeffrey Epstein morreu em agosto de 2019, depois de ter sido encontrado sem vida dentro da sua cela enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual.
As investigações policiais e judiciais sobre as alegações de abusos sexuais de menores cometidos pelo milionário norte-americano Jeffrey Epstein decorreram ao longo de quase duas décadas.
Ghislaine Maxwell só falará se Trump lhe conceder clemência
A ex-companheira de Epstein, Ghislaine Maxwell, invocou, esta segunda-feira, a Quinta Emenda para não ter de responder às perguntas do Comité de Supervisão da Câmara dos Representantes sobre a sua ligação com o predador sexual Jeffrey Epstein.
Sob o meu conselho, Ghislaine Maxwell irá invocar a Quinta Emenda e recusa responder às perguntas, embora ela gostasse de o fazer", começou por explicar o advogado, David Oscar Markus, na rede social X (antigo Twitter).
No entanto, o seu advogado adiantou que, para a cliente falar, Donald Trump terá de lhe conceder perdão.
"Se este Comité e o público americano querem ouvir a verdade não filtrada sobre o que aconteceu, há um caminho. A senhora Maxwell está preparada para falar de forma completa e honesta se lhe for concedida clemência pelo presidente Trump", lê-se.
E acrescentou: "Só ela pode fazer o relato completo. Alguns podem não gostar do que ouvem, mas a verdade importa. Por exemplo, tanto o presidente Trump como o presidente Clinton são inocentes de qualquer irregularidade".
Após silêncio, Maxwell está "preparada para falar" (se Trump a perdoar)
Ghislaine Maxwell invocou a Quinta Emenda, na segunda-feira, mas está disposta a ilibar Trump (que é várias vezes mencionado nos ficheiros do caso Epstein divulgados), caso este lhe conceder perdão presidencial. Nesse caso, falará "de forma completa e honesta", assegura o advogado.
Ghislaine Maxwell recusou responder às perguntas de um comité da Câmara dos Representantes do Congresso norte-americano, na segunda-feira, mas há outra novidade no caso: a cúmplice do criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein está disposta a ilibar Donald Trump no caso... se este lhe conceder um perdão presidencial.
"Sob o meu conselho, Ghislaine Maxwell irá invocar a Quinta Emenda e recusa responder às perguntas, embora ela gostasse de o fazer", começou por explicar o advogado, David Oscar Markus, na rede social X (antigo Twitter).
Mas não se ficou por aqui, acrescentando que há um habeas corpus a decorrer que demonstra que a condenação de Maxwell "se baseia num julgamento injusto".
Vestida com uma camisa bege e sentada numa mesa de conferência com uma garrafa de água, Maxwell invocou repetidamente o seu "direito ao silêncio garantido pela Quinta Emenda", conforme mostrou um vídeo divulgado posteriormente pelo comité.
A audição ocorre num contexto de crescente atenção mediática após a divulgação, a 30 de janeiro, de mais de três milhões de documentos relacionados com o caso Epstein pelo Departamento de Justiça norte-americano.
As autoridades norte-americanas avisaram, contudo, que a documentação não contém novas provas suscetíveis de conduzir a acusações adicionais.
Apesar disso, a simples menção de nomes nos documentos tem gerado inquietação entre várias figuras públicas com ligações passadas ao empresário e milionário, condenado por crimes sexuais e que morreu em 2019 numa prisão de Nova Iorque.
"Se este Comité e o público americano querem ouvir a verdade não filtrada sobre o que aconteceu, há um caminho. A senhora Maxwell está preparada para falar de forma completa e honesta se lhe for concedida clemência pelo presidente Trump", adiantou o advogado.
E acrescentou: "Só ela pode fazer o relato completo. Alguns podem não gostar do que ouvem, mas a verdade importa. Por exemplo, tanto o presidente Trump como o presidente Clinton são inocentes de qualquer irregularidade".
Donald Trump, recorde-se, é várias vezes mencionado nos ficheiros divulgados, assim como o ex-presidente Bill Clinton que, inclusive, surgiu em diversas fotografias na ilha de Jeffrey Epstein. O presidente dos EUA não excluiu a possibilidade de conceder a Maxwell um perdão ou comutação de pena.
Tanto Trump como Clinton têm negado qualquer envolvimento nos crimes de Epstein.
O advogado termina a publicação dizendo que Ghislaine Maxwell "é a única que pode explicar porquê" e que o "público tem direito a essa explicação".
Maxwell, de 64 anos, foi condenada em 2022 a 20 anos de prisão por exploração sexual de menores e tenta ainda esgotar os recursos judiciais contra a sentença.
Mulher de ex-mordomo de Epstein é portuguesa: "Ele amava demais a vida"
Após a divulgação de mais de três milhões de documentos de Jeffrey Epstein, veio à tona um nome português: Maria Gomes de Melo. A portuguesa é mulher do antigo mordomo do predador sexual, que trabalhava no seu apartamento de luxo em Paris.
Portugal e até vários portugueses já foram mencionados nos ficheiros de Jeffrey Epstein desde que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos começou a divulgar publicamente os documentos. Recentemente, veio à tona o nome de Maria Gomes de Melo, a mulher do mordomo do predador sexual.
São vários os bilhetes de avião que surgem nos ficheiros com o nome de Maria Gomes de Melo e de Valdson Vieira Cotrin, mordomo de Epstein durante 18 anos.
O casal, note-se, trabalhava no apartamento de luxo de Jeffrey Epstein na Avenida Foch, em Paris, França.
Maria Gomes de Melo, como é possível ver nos bilhetes de avião, é de nacionalidade portuguesa e, segundo vários meios de comunicação nacionais, é natural de Torre de Moncorvo, no distrito de Bragança.
No site do Departamento de Justiça norte-americano há cinco páginas onde aparece o nome da portuguesa, sendo que na sua maioria o conteúdo são reservas de viagens e bilhetes de avião e era a secretária pessoal de Epstein, Lesley Groff, quem tratava de tudo.
As viagens foram sobretudo entre Paris e Nova Iorque, havendo ainda uma viagem do casal de França para o Brasil, país natal de Valdson Vieira Cotrin. E, ao que tudo indica, as passagens eram sempre pagas pelo magnata norte-americano.
Valdson Vieira Cotrin eram quem administrava o apartamento de luxo do financista norte-americano em Paris e, na entrevista, revelou várias informações. Uma delas foi que Donald Trump ofereceu um cargo a Epstein no seu primeiro mandato na Casa Branca, em 2016.
"Sou como o irmão dele [Mark Epstein]. Não acredito que tenha sido um suicídio. Ele [Jeffrey Epstein] amava demais a vida", disse o mordomo.
O brasileiro relatou ainda o dia em que viu o até então patrão pela última vez: "Eu levei-o de carro até ao aeroporto de Le Bourget. Foi num sábado porque na segunda-feira tinha de comparecer em tribunal".
"Quando cheguei a casa, duas jovens ligaram-me: a Karyna Shuliak, a namorada com quem tinha um relacionamento há vários anos, e outra que trabalhava para ele. E disseram-me 'o sr. Epstein foi preso. Chegou a Nova Iorque e a polícia estava à espera dele'".
Também Maria Gomes de Melo, mulher de Valdson Vieira Cotrin, conhecia bem Jeffrey Epstein, e na mesma entrevista recordou que quando o norte-americano se despediu dela, disse: "Voltarei na próxima semana". E Maria Gomes de Melo pediu-lhe: "Não vá, senhor".
A portuguesa também questionou a conclusão oficial das autoridades que afirmam que o predador sexual se suicidou, sugerindo que Epstein poderia ter sido assassinado e pedindo, na altura, uma segunda autópsia.
"Na noite de sábado, recebemos a notícia de que ele se havia suicidado e, sinceramente, ele amava demais a vida para partir assim", afirmou a portuguesa.
Mordomo diz que nunca viu Epstein a divertir-se
Valdson Vieira Cotrin referiu ainda na entrevista que nunca viu o patrão a divertir-se, nem a ter relações sexuais com menores de idade, acrescentando que várias jovens eram contratas para fazer massagens a Jeffrey Epstein e cortar as suas unhas.
"As meninas faziam isso [massagens], mas parava por aí", disse.
Embora fosse o mordomo de Esptein em Paris, o brasileiro também chegou a trabalhar nas propriedades de Nova Iorque, Palm Beach, Flórida e na ilha privada em Little St. James.
"Ele confiava plenamente em mim. Eu era o motorista, o cozinheiro. Fazia tudo em Paris, era o único funcionário a tempo inteiro e remunerado.
Trabalhei para ele desde 2001 até à sua morte", apontou.
De acordo com a reportagem do The Telegraph, a entrevista aconteceu em casa de Valdson Vieira Cotrin, onde ainda exibia várias fotografias, não só com Epstein, como também com Bill Clinton. Enumerou ainda uma lista de personalidades conhecidas que visitaram o ex-patrão como, por exemplo, o ex-príncipe André, Woody Allen, o ex-primeiro-ministro israelita, Ehud Barak e o britânico Peter Mandelson.
O casal reiterou que, durante os anos que acompanharam o criminoso, nunca viram qualquer indício de abusos sexuais.
"Toda a gente sabia": Afinal, Trump conhecia (ou não) crimes de Epstein?
Donald Trump tem reiterado que desconhecia os crimes de Jeffrey Epstein. No entanto, há uma entrevista do FBI feita ao antigo chefe da polícia de Palm Beach que contradiz as afirmações do presidente norte-americano.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem repetido diversas vezes que desconhecia os crimes de Jeffrey Epstein. No entanto, há novas informações que colocam em causa as afirmações do republicano.
Foi em julho de 2006 que uma acusação de abuso sexual contra Jeffrey Epstein se tornou pública. Nessa altura, Donald Trump terá ligado para o então chefe da polícia de Palm Beach, Michael Reiter, para lhe dizer que as atividades do magnata com menores de idade eram do conhecimento público tanto em Nova Iorque como em Palm Beach.
"Ainda bem que está a impedi-lo, toda a gente já sabia o que ele fazia isso [abusar de menores]", disse o atual presidente norte-americano ao chefe da polícia, segundo uma entrevista do FBI a Reiter, que, aliás, consta nos arquivos de Epstein agora divulgados e citado pelo Miami Herald.
A entrevista foi realizada em outubro de 2019, meses depois de o magnata norte-americano se ter suicidado na prisão, e lança agora uma nova abordagem sobre o envolvimento de Donald Trump no início da investigação a Epstein em 2006 e o quanto sabia sobre os crimes.
Michael Reiter disse também ao FBI que o republicano afirmou que Ghislaine Maxwell era "agente" de Jeffrey Epstein, caracterizando-a como "má" e que a polícia se deveria "focar nela".
Maxwell, de 64 anos, recorde-se, foi condenada em 2022 a 20 anos de prisão por exploração sexual de menores e tenta ainda esgotar os recursos judiciais contra a sentença.
Na altura, Donald Trump adiantou a Reiter que "esteve perto de Epstein uma vez, quando havia adolescentes presentes" e que "saiu a correr de lá", tendo ainda dito que expulsou o criminoso de Mar-a-Lago.
Estas informações, note-se, vêm contradizer o que Donald Trump tem vindo a afirmar desde que o seu nome foi associado a Jeffrey Epstein, afirmando que desconhecia os abusos sexuais a menores de idade.
O Miami Herald confirmou junto do ex-chefe da polícia de Palm Beach, Michael Reiter, esta conversa com o atual presidente dos Estados Unidos. No entanto, um funcionário do FBI negou que este telefonema tenha acontecido: "Não temos conhecimento de nenhuma evidência que corrobore a hipótese de que o presidente tenha entrado em contacto com as autoridades há 20 anos", disse, citado pelo meio americano.
O depoimento de Reiter ao FBI focou-se sobretudo na investigação do Departamento de Polícia de Palm Beach a Jeffrey Epstein, tendo começado em 2003 após as autoridades terem recebido uma denúncia de que haviam sido vistas jovens a entrar e a sair da mansão do financista, em Palm Beach.
Na altura, a polícia montou uma operação de vigilância à casa de Epstein, tendo verificado a identidade de duas mulheres que eram já adultas. Desta forma, o caso acabou por ser encerrado.
Mais tarde, em 2005, a polícia recebeu um nova denúncia. Tratava-se de uma mulher que dizia que a sua enteada de 14 anos tinha sido abusado por Jeffrey Epstein. Já a menina revelou às autoridades que outras jovens haviam sido agredidas sexualmente como parte de um esquema organizado, onde adolescentes eram recrutadas para fazer massagens ao magnata.
Vítimas de Epstein pedem divulgação total de ficheiros
As vítimas do predador sexual Jeffrey Epstein apareceram num vídeo para pedir que sejam divulgados todos os arquivos do magnata norte-americano.
O apelo foi feito num vídeo do grupo World Without Exploitation, com cerca de 40 segundos, divulgado no domingo, dia em que aconteceu o Super Bowl.
As vítimas exibiram fotografias de quando eram mais jovens e disseram: "Todos nós merecemos a verdade".
As vítimas de Jeffrey Epstein surgiram num vídeo, com cerca de 40 segundos, para pedir que os ficheiros do criminoso sejam divulgados na totalidade pelo Departamento da Justiça dos Estados Unidos.
Ghislaine Maxwell só falará se Trump lhe conceder clemência
A ex-companheira de Epstein, Ghislaine Maxwell, invocou, esta segunda-feira, a Quinta Emenda para não ter de responder às perguntas do Comité de Supervisão da Câmara dos Representantes sobre a sua ligação com o predador sexual Jeffrey Epstein.
Sob o meu conselho, Ghislaine Maxwell irá invocar a Quinta Emenda e recusa responder às perguntas, embora ela gostasse de o fazer", começou por explicar o advogado, David Oscar Markus, na rede social X (antigo Twitter).
No entanto, o seu advogado adiantou que, para a cliente falar, Donald Trump terá de lhe conceder perdão.
"Se este Comité e o público americano querem ouvir a verdade não filtrada sobre o que aconteceu, há um caminho. A senhora Maxwell está preparada para falar de forma completa e honesta se lhe for concedida clemência pelo presidente Trump", lê-se.
E acrescentou: "Só ela pode fazer o relato completo. Alguns podem não gostar do que ouvem, mas a verdade importa. Por exemplo, tanto o presidente Trump como o presidente Clinton são inocentes de qualquer irregularidade".
Secretário do Comércio nega ter laços a Epstein. "Mal vi essa pessoa"
O secretário do Comércio dos Estados Unidos, Edward Lutnick, defendeu-se hoje de ter mantido contacto com o criminoso sexual Jeffrey Epstein, argumentando que mal viu o financeiro "nos últimos 14 anos".
"Eu mal vi essa pessoa nos últimos 14 anos", afirmou Lutnick durante uma audiência no Senado, depois de o seu nome ter aparecido nos documentos da investigação, o que desencadeou uma série de pedidos de demissão.
O secretário do Comércio referia-se a um período que começou em 2005, quando se tornou vizinho do criminoso sexual em Nova Iorque.
Vários políticos acusaram o secretário do Comércio de ter mentido quando afirmou anteriormente ter cortado relações há mais de 20 anos com Jeffrey Epstein, que morreu na prisão em 2019 enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual de menores.
Os apelos para a demissão de Lutnick têm-se multiplicado desde que o Departamento de Justiça publicou milhões de documentos, nos quais é referida uma visita de Lutnick à ilha de Jeffrey Epstein em dezembro de 2012.
"Almocei com ele [na ilha], enquanto passava férias com a minha família num barco. A minha mulher estava comigo, assim como os meus quatro filhos e as amas", afirmou, garantindo que a visita durou uma hora.
Outro documento refere um almoço entre os dois homens em Nova Iorque, em 2011.
"Como toda a gente, procurei o meu nome nos milhões de documentos publicados e vi que um documento mencionava um encontro em maio [2011], creio eu, com a duração máxima de uma hora", disse Lutnick, acrescentando que o seu nome aparecia em "uma dezena de e-mails", no máximo.
"Lutnick não devia estar à frente do nosso Departamento de Comércio. Deve demitir-se imediatamente", afirmou na segunda-feira o senador democrata Adam Schiff.
Por sua vez, o congressista republicano Thomas Massie considerou no domingo que o secretário do Comércio "devia facilitar a vida do Presidente [norte-americano Donald Trump] e simplesmente demitir-se".
A Casa Branca manifestou apoio ao secretário do Comércio, com um porta-voz a garantir que "todo o Governo, incluindo o secretário Lutnick, está concentrado em servir os interesses do povo americano".
Pessoalmente próximo de Trump, Howard Lutnick chefiava a empresa de serviços financeiros Cantor Fitzgerald antes de se juntar ao Governo no ano passado.
Os documentos divulgados pelas autoridades dos Estados Unidos resultam da investigação ao financeiro norte-americano Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais envolvendo uma menor.
Epstein morreu numa cela de prisão em 2019, enquanto aguardava julgamento por acusações federais nos Estados Unidos de ter abusado sexualmente de dezenas de mulheres.