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Roter.Teufel

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Ex-Fla e Vasco, Maurício Souza vai da autonomia na Indonésia ao uso de blindado em jogo

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Técnico comanda o Persija Jakarta e revive o sucesso de primeira passagem pelo país

Rio - Aos 51 anos, o brasileiro Maurício Souza atravessa um dos períodos mais marcantes de sua trajetória, ao comandar o Persija Jakarta. Com passagens por Flamengo e Vasco, o treinador agora lidera uma campanha de protagonismo na Indonésia, onde briga diretamente pelo título nacional. Em sua segunda experiência no país, ele desfruta de um prestígio profissional superior ao encontrado no Brasil, convivendo em uma cultura ainda pouco explorada pelos sul-americanos.

A trajetória no Sudeste Asiático, contudo, começou com resistência quando ele ainda estava no Rio de Janeiro, já que o destino não figurava em seus planos originais após a saída do Cruz-Maltino, em 2022.
"Na verdade, a primeira reação foi de negação. Eu, no primeiro momento, não quis abrir conversa", confessa o técnico.

A mudança de perspectiva ocorreu após ouvir relatos sobre a evolução do mercado local e a garantia de trabalhar com uma comissão técnica brasileira. O resultado foi um êxito imediato no Madura United, seu primeiro clube indonésio, onde foi vice-campeão nacional na temporada 2023/2024 operando com apenas a 13ª folha salarial da liga.

Após o sucesso inicial, Maurício retornou ao Brasil, onde conquistou o título do Brasileiro de Aspirantes de 2024, pelo Red Bull Bragantino II. Já em maio de 2025, retornou ao futebol da Indonésia para iniciar sua jornada no Persija, após rápido trabalho pelo Guarani.

Respeito ao cargo e adaptação
No cotidiano de treinos na Indonésia, Mauricio encontrou um cenário de valorização que considera raro em solo brasileiro após passagens por contextos de alta pressão em Flamengo e Vasco. Os dirigentes locais, segundo ele, respeitam o pensamento tático e priorizam o diálogo antes de qualquer decisão drástica, compartilhando a responsabilidade pelos resultados com o elenco.

"Você realmente se sente respeitado, você é o 'head coach' (treinador principal), realmente gerencia todo o processo", afirma. Maurício ressalta que, embora a cobrança exista, o tempo oferecido para desenvolver o trabalho é significativamente maior.

A adaptação cultural foi facilitada pela estrutura da capital, Jacarta, onde a alimentação deixou de ser um entrave, como foi em sua primeira experiência no país. Na época do Madura United, o técnico residiu em Pamekasan, cidade do interior com poucas opções gastronômicas ocidentais.
Atualmente, a oferta variada ajuda a manter o paladar próximo de casa. Para a comunicação, ele conta com o suporte de um tradutor brasileiro que reside na Indonésia há 30 anos, simplificando o contato com os jogadores locais.

Blindado para ir a clássicos
Fora das quatro linhas, a intensidade das torcidas locais trouxe vivências extremas ao comandante. Como o fato de precisar utilizar veículos blindados para se deslocar antes dos clássicos contra o rival Persib Bandung. Segundo Mauricio, a medida é preventiva devido ao histórico de hostilidade e ataques ao ônibus da delegação em determinadas estradas.

"Nós fizemos dois jogos em que a gente teve que ir com o carro tanque, que a gente chama aí no Brasil de blindado. O 'caveirão' daí", relata.

Para o profissional, o futebol indonésio atravessa um período de grande investimento e crescimento técnico, impulsionado pela presença maciça de estrangeiros e treinadores de diversos centros globais.

"É uma liga que tecnicamente cresceu muito", avalia.
Apesar de estar adaptado a Jacarta, Maurício admite continuar acompanhando o futebol brasileiro, e considera voltar ao país natal para equipes que ofereçam estabilidade.

"Caso eu volte, eu gostaria muito que fosse pra um clube onde tivesse um bom projeto, onde a política não prejudicasse tanto", conclui.

O Dia
 
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