Portal Chamar Táxi

National Geographic Foto of the Day

orban89

Moderador GForum
Team GForum
Entrou
Set 18, 2023
Mensagens
12,117
Gostos Recebidos
284

ME1BGWDU_o.jpg

Um fantasma ameaçador


"Que grande professora e mestre é a vida selvagem", defende o biólogo Rui Duarte, distinguido três vezes na mais recente edição do Insitu – Festival de Imagem de Natureza de Vouzela. Esta fotografia, da sua autoria, sublinha a convicção.


Para um olhar menos treinado, não é fácil identificar, logo à primeira, os artrópodes de carapaça quadrada e coloração branco-amarelada que Duarte captou com a sua câmara na ilha da Boa Vista. Foi neste pedaço de terra paradisíaco do arquipélago de Cabo Verde que o biólogo-fotógrafo barcelense assumiu em 2025 o cargo de gestor de operações da Fundação Tartaruga, no âmbito de um projecto de conservação que a National Geographic deu a conhecer recentemente. Se lhe pareceram fantasmas, não está totalmente errado. Mas já lá vamos.

Sabemos que um areal como este convida espécies marinhas como a tartaruga-comum (Caretta caretta) a aí desovarem, e que, ao deter 52% das praias de areia branca de todo o arquipélago, a ilha da Boa Vista é um importante viveiro deste réptil marinho. Ora, o caranguejo-fantasma (Ocypode cursor), o maior predador natural dos ovos e crias deste invertebrado, também o sabe. Através desta imagem, recentemente premiada em Vouzela, "é possível", nas palavras do biólogo que descobriu o gosto pela fotografia no último ano da licenciatura, "imaginar a muralha ofensiva desta espécie, que cerca as tartaruguinhas de partida para a grande aventura do mar".

Actualmente, Boa Vista alberga uma das maiores populações mundiais da espécie Caretta caretta. Além do emaranhamento em redes e anzóis, da poluição luminosa, da caça e dos turistas que invadem as praias durante a sua época de nidificação, entre Junho e Outubro, enfrenta várias ameaças animais: corvos, gatos ferais, cães e, claro, estes "fantasmas".

Das cinco fotografias de Rui Duarte que chegaram à fase final do Insitu – Festival de Imagem de Natureza de Vouzela, três foram galardoadas, cada uma numa categoria diferente: "Fotografia artística", "Mamíferos" e "Invertebrados". As imagens que o biólogo submeteu "representam alguns dos meus momentos imersos na natureza, seja explorando, trabalhando ou simplesmente aprendendo". E a lição não tem fim: "Que grande professora e mestre é a vida selvagem!"
 

orban89

Moderador GForum
Team GForum
Entrou
Set 18, 2023
Mensagens
12,117
Gostos Recebidos
284

ME1BJ5EV_o.jpg

A Primavera agita o sangue

Para o mocho-galego, a mudança de estação significa o início dos gritos, berros e trinados.


O mocho-galego (Athene noctua) vive aos pares, em ninhos que normalmente não são construídos de qualquer material, aproveitando fendas, buracos e outras ligeiras depressões para construir a sua casa.

Esta ave de rapina inicia a sua época de reprodução entre o final de Março e o início de Abril e anuncia-a com grande alarido, aumentando muito a sua actividade sonora com chamamentos, gritos e trinados.

No final de Abril, a fêmea põe os ovos e incuba-os ela própria durante um período de cerca de 31-33 dias. Durante este período, o macho fornece-lhe alimento. As crias nascem geralmente durante o mês de Maio e, em Setembro, já são suficientemente independentes para abandonarem o ninho dos pais.
 

orban89

Moderador GForum
Team GForum
Entrou
Set 18, 2023
Mensagens
12,117
Gostos Recebidos
284

ME1BSPWP_o.jpg


Sexta-feira Santa em Bercianos de Aliste


Hoje de manhã, nesta aldeia da provícia de Zamora, a tradição repete-se: depois de tocarem as matracas, que chamam os aldeões até à igreja, celebra-se o Levantamento da Cruz. O Cristo articulado – figura que permanece deitada na sua urna de cristal ao longo do ano – é colocado na cruz para ser velado pelos confrades anciãos até ao momento do enterro, que ocorre à tarde.


Segundo a lenda, a aldeia de Bercianos de Aliste, na província de Zamora, sobreviveu à peste e, como muitas outras, demonstrou a sua gratidão realizando uma procissão todas as Sextas-Feiras Santas. A tradição diz que a indumentária de linho branco do confrade era tecida pelas mulheres mais próximas da sua família, não exclusivamente a sua noiva, como asseveram algumas fontes, pois só os homens casados podiam pertencer à confraria.

Os solteiros e os viúvos que desejavam participar, vestiam a capa alistana. Isto conferia um valor sagrado à indumentária envergada nas procissões, porque participara na Procissão do Senhor Morto, uma vez que a bula concede indulgência plena in articulo mortis aos que a acompanham. Tendo sido utilizada num contexto ritual, a indumentária torna-se um veículo de transmissão dessa indulgência, razão pela qual não se lava até à véspera da procissão seguinte – e é utilizada pela última vez no enterro do confrade.
 
Topo