Khamenei concede indultos a mais de 2.000 reclusos
O líder supremo do Irão, Ali Khamenei, concedeu hoje indultos e reduções de pena a mais de 2.000 reclusos, excluindo qualquer pessoa envolvida nos recentes protestos antigovernamentais, disseram as autoridades judiciais.
O anúncio foi feito na véspera do aniversário da Revolução Islâmica, data em que tradicionalmente são adotadas medidas de clemência no país.
Khamenei atendeu ao pedido do chefe da magistratura para indultar, reduzir ou comutar as penas de 2.108 condenados, de acordo com o órgão de comunicação do poder judicial iraniano Mizan Online.
A lista de beneficiários não inclui reclusos "processados ou condenados após os recentes distúrbios", esclareceu o vice-chefe do poder judicial, Ali Mozaffari, citado pelo mesmo meio.
Os protestos em massa começaram a 28 de dezembro, inicialmente contra o aumento do custo de vida, e evoluíram para um movimento mais amplo de contestação ao regime.
As autoridades iranianas reconheceram a morte de mais de três mil pessoas, afirmando que a maioria eram membros das forças de segurança ou civis mortos por alegados terroristas ligados aos Estados Unidos e a Israel.
A organização não-governamental norte-americana Human Rights Activists News Agency contabilizou 6.964 mortos, na maioria manifestantes, e investiga ainda outros 11.730 casos.
Irão: Governo avisa que estudantes têm direito ao protesto mas há limites
"Naturalmente têm o direito de protestar, mas existem linhas vermelhas que devem ser protegidas e não ultrapassadas, mesmo no calor da raiva", disse a porta-voz Fatemeh Mohajerani.
A responsável falava numa conferência de imprensa na qual citou como exemplos de "linhas vermelhas" os "locais sagrados e a bandeira" da República Islâmica.
Protestos estudantis eclodiram no fim de semana em nove universidades iranianas, com os manifestantes a queimarem bandeiras do país e a apelarem à morte do líder supremo do Irão, o ayatollah Ali Khamenei.
As principais mobilizações ocorreram em Teerão, onde centenas de estudantes protestaram contra o Governo em pelo menos sete centros de estudos, queimando a bandeira da República Islâmica, um gesto incomum partilhado nas redes sociais por organizações não-governamentais (ONG) e meios de comunicação da oposição.
A queima de bandeiras dos Estados Unidos e de Israel é típica das mobilizações estatais iranianas e agora os estudantes universitários estão a protestar da mesma forma, mas em contestação ao regime, queimando a bandeira do país persa.
No sábado e no domingo eclodiram protestos nas universidades de Amir Kabir, Sharif e Teerão, e hoje juntaram-se também as universidades de Ciência e Tecnologia, a feminina de Alzahra, Jaye Nasir e a de Ciência e Cultura, todas na capital.
Também se registaram protestos na Universidade Ferdosi de Mashad (nordeste) e na Universidade Tecnológica de Isfahan (centro).
Em todos esses estabelecimentos de ensino foram entoados gritos de ordem como: "Nem Gaza, nem Líbano, a minha vida pelo Irão", "Lutamos, morremos, recuperaremos o Irão" ou "Yavid Sah" (vida ao xá).
Nas universidades de Teerão, verificaram-se contraprotestos a favor da República Islâmica, nos quais gritaram "Morte a Israel" e "Morte aos Estados Unidos" e queimaram bandeiras desses países.
Na Universidade de Teerão ocorreram confrontos entre o que as ONG opositoras ao regime classificaram como 'basijis' --- milicianos islâmicos --- e estudantes, sem que houvesse relatos de feridos.
Os protestos começaram a 28 de dezembro, quando comerciantes saíram às ruas devido à desvalorização do rial, mas foram crescendo até se tornarem num movimento cidadão que exigia o fim da República Islâmica e que foi brutalmente reprimido nos dias 08 e 09 de janeiro.
O Governo iraniano reconhece oficialmente 3.117 mortos, enquanto organizações opositoras como a HRANA, com sede nos Estados Unidos, estimam que 7.015 pessoas morreram, embora continuem a verificar mais de 11.700 possíveis mortes e estimem que cerca de 53.000 pessoas foram detidas.
Quatro mortos em acidente com helicóptero militar no Irão
Este é o segundo acidente com uma aeronave da Força Aérea iraniana em menos de uma semana, depois de um caça ter caído na quinta-feira no noroeste do país por razões ainda não esclarecidas, matando um piloto e um copiloto.
"Um helicóptero da Força Aérea Iraniana caiu na manhã de terça-feira [hoje] num mercado de frutas e verduras na cidade de Darcheh, na província de Isfahan", informou a agência de notícias Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária.
A mesma fonte informa que o acidente resultou na morte do piloto, do copiloto e de dois vendedores do mercado.
Estes acidentes têm ocorrido num período de enormes tensões militares com os Estados Unidos, que enviaram uma grande força armada para o Oriente Médio para pressionar o Irão a um acordo nuclear.
Segundo o The New York Times, o presidente dos EUA, Donald Trump, pondera fazer um ataque nos próximos meses para depor os líderes políticos iranianos, caso a diplomacia não consiga persuadir o Irão a recuar no seu programa nuclear.
Acidentes com aeronaves militares são comuns no Irão devido à idade das aeronaves, adquiridas antes da Revolução Islâmica de 1979.
Desde a instauração da República Islâmica pelo aiatola Ali Khamenei, o Irão não conseguiu adquirir novos caças para a Força Aérea do país.