Caudal do Douro está estável mas água deve inundar margens esta semana
A situação no rio Douro "está equilibrada", mas estima-se que a água volte à margem esta semana, disse o comandante adjunto da Capitania do Douro, elogiando a ativação dos Planos Municipais de Emergência do Porto e de Gaia.
Num ponto de situação à agência Lusa, cerca das 7h30, Pedro Cervaens referiu que o rio, que chegou a inundar as zonas de Miragaia e Ribeira, o Porto, e Afurada, em Vila Nova de Gaia, na última sexta-feira, tem-se mostrado "estável" com "situação equilibrada" e uma cota "não muito elevada", mas "sempre a exigir "muita atenção".
"Acredito que se mantiver a chuva como está agora durante o dia vai subir. Temos um fenómeno neste momento, as águas mortas. Ou seja, as marés atualmente são marés baixas. Comparativamente com a semana passada, temos uma diferença de mais de um metro de altura, portanto esta semana temos uma almofada para o mesmo caudal. Isto não quer dizer que a água não atinja [a margem]. Acredito que pelo menos Miragaia possa ser atingida por água", resumiu.
O município do Porto terá ativo até às 23:59 de domingo o Plano Municipal de Emergência de Proteção Civil (PMEPC), após o Governo ter colocado 48 concelhos em situação de contingência devido à ocorrência ou risco elevado de cheias e inundações, conforme foi noticiado na segunda-feira.
Também Vila Nova de Gaia ativou até domingo o Plano Municipal de Emergência de Proteção Civil (PMEPC), lê-se num despacho datado de sábado e publicado na segunda-feira no 'site' da autarquia.
"Vários municípios implementaram o Plano Municipal de Emergência o que é bom porque facilita a articulação entre as várias entidades. Era algo que já estava a acontecer, mas isso formaliza e obriga naturalmente as pessoas a cumprirem com os procedimentos que cada plano tem", referiu hoje o comandante adjunto da Capitania do Douro.
O mau tempo com muita chuva, vento e agitação marítima levou a Capitania do Douro a ativar o alerta vermelho para risco de cheias.
Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
Vem aí a depressão Nils: “Rio atmosférico” que vai afetar Portugal
A depressão Nils, um sistema de baixa pressão em formação no Atlântico Norte, está a atrair atenções por trazer consigo um cenário de chuva persistente que pode causar problemas em várias regiões de Portugal nos próximos dias.
Embora o centro da depressão não deva atravessar diretamente o território continental, a circulação associada a este sistema favorecerá a entrada de ar húmido e instável, o que significa que períodos de precipitação contínua estão previstos, sobretudo de terça-feira até quarta-feira.
O que esperar da depressão Nils?
Chuva moderada a forte em partes do Norte e Centro, com possibilidade de acumulados significativos em 24 horas, especialmente nas zonas montanhosas do país.
Risco elevado de cheias ou aumento de caudais em rios e ribeiras, dado que o solo já se encontra saturado devido às recentes precipitações.
Agitação marítima significativa ao longo da costa ocidental, com ondas que poderão ultrapassar os quatro a cinco metros, situação que pode motivar alertas do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
O vento, embora presente, não deverá atingir níveis particularmente perigosos no continente, ficando abaixo do que seria considerado anormal para a época.
De acordo com modelos meteorológicos, o centro de baixa pressão de Nils deverá situar-se próximo do Canal da Mancha, entre o final de terça-feira e quarta-feira, empurrando sistemas frontais que reforçam a instabilidade e a precipitação no território português.
A Proteção Civil recomenda à população que evite zonas inundáveis, garanta a desobstrução de sistemas de drenagem e acompanhe atentamente as informações e avisos emitidos pelo IPMA. A condução deve ser feita com especial cuidado, devido ao risco acrescido de lençóis de água nas estradas.
As autoridades continuam a monitorizar a situação, apelando à adoção de comportamentos preventivos, de forma a minimizar os impactos deste episódio meteorológico adverso.
Estradas cortadas no distrito de Aveiro mais do que duplicaram
O número de estradas interditas ou condicionadas no distrito de Aveiro aumentou para mais do dobro desde o início da manhã, passando de 28 para 65, devido às condições meteorológicas adversas e ao aumento do caudal das linhas de água.
De acordo com a atualização feita hoje, às 16:00, pela GNR sobre o estado das estradas no distrito de Aveiro, encontram-se 65 vias interditas ou condicionadas, maioritariamente por inundações, desmoronamentos e abatimentos de via.
A situação mais grave continua a ser a do concelho de Águeda, com 15 vias interditas devido à inundação, nomeadamente a Rua da Pateira (Fermentelos), a Estrada do Campo (na zona de Espinhel e Recardães), a Rua Arquiteto Filomeno Rocha Carneiro (Borralha), a Rua Professor Dinis Pires (Travassô), a Estrada Municipal (EM) 230 (Eirol), a Praceta da Carapeteira (Assequins), a Rua Principal da Murta (Aguada de Baixo), a Rua do Passal (Espinhel), a Rua 5 de Outubro (Águeda), a Rua do Campo (Segadães), a Rua Ponte da Barca (Serém), a Rua Manuel Marques (Macinhata do Vouga), a Rua do Carvalho (Trofa), e a EM 577 (Fontinha).
Ainda neste concelho está interdita a Rua do Covão (Aguieira) e a Rua Vale do Grou (Aguada de Cima), devido a desmoronamento.
Em Oliveira de Azeméis, estão interditas a Rua Ponte Medieval (Santiago Ribau-Ul) e a Rua do Cercal (Cucujães), devido a inundação.
Em Sever do Vouga, a GNR dá conta da interdição da EN 16 em Pessegueiro do Vouga, devido a desmoronamento, e em Albergaria-a-Velha estão cortadas a Estrada Nacional 230-2 (Angeja) e a Rua do Jogo (Vale Maior), devido a inundação, e a M553 (Ribeira de Fráguas), devido a abatimento do piso.
Em Aveiro, estão cortadas devido a inundação a Rua Direita e a Rua da Pateira, em Requeixo, a Rua da Valsa (Eixo) e a Rua Marquês de Pombal em Cacia e, em Ílhavo, está cortada a Rua do Sul (Gafanha de Aquém).
Mais a sul, em Anadia, estão interditas a EN 235 (Vila Nova de Monsarros), a Rua do Cértima (Mogofores), a Rua da Várzea (Arcos), a Avenida das Laranjeiras (Alféolas), a Rua São Simão (São Lourenço do Bairro), a Rua Costa do Casal (Avelãs de Caminho), a Estrada Real (São João da Azenha) e a Rua de Sangalhos, (São João da Azenha), devido a inundação.
Em Oliveira do Bairro, a GNR dá conta da interdição da Rua Escola C+S (Oiã), da Rua do Ortigal, da Rua da Passagem de Nível e da Rua da Bunheira de Vila Verde, devido a inundação.
A GNR refere ainda a existência de condicionamentos de trânsito no Itinerário Complementar (IC) 2, ao quilómetro 239, sentido norte/sul, em Águeda e na EN 222 ao quilometro 33,8, na zona de Castelo de Paiva, devido a desmoronamento. Estão ainda condicionadas a EN 109 ao quilómetro 45, em Estarreja, e a EN1 ao quilómetro 212, em Anadia, devido a inundação.
Homem espanhol resgatado em zona inundada pelo Antuã em Estarreja
Os Bombeiros de Estarreja resgataram hoje um homem, com cerca de 30 anos, que caiu à água numa zona inundada pelo rio Antuã, em circunstâncias ainda por explicar, informou fonte daquela corporação do distrito de Aveiro.
O alerta foi dado cerca das 17:00, tendo sido mobilizados para o local 14 operacionais e cinco viaturas.
As operações de resgate demoraram cerca de uma hora, período em que a vítima permaneceu dentro de água, agarrada a uma árvore.
O comandante dos Bombeiros de Estarreja, Joaquim Rebelo, disse à Lusa que o homem, de nacionalidade espanhola, caiu à água junto à rua da Agra, que se encontra interdita devido a inundação, e "andou uns metros pela corrente".
"Ele foi resgatado na parte que estava inundada com bastante corrente. Por acaso, não chegou ao rio. Se chegasse ao rio, com as correntes, ia ser mais difícil de fazer o resgate", explicou o comandante.
O homem foi assistido no local e foi transportado para o Hospital de Aveiro.
Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
Proteção civil registou 1.576 ocorrências até às 06h00, sem vítimas
A proteção civil registou entre as 00h00 de terça-feira e as 06h00 de hoje 1.576 ocorrências, entre inundações, quedas de árvores e deslizamentos, na Área Metropolitana do Porto, Coimbra e Aveiro, sem causar vitimas.
"Registámos 1.576 ocorrências, 322 das quais na Área Metropolitana do Porto, 342 na Região de Coimbra e 196 na Região de Aveiro", disse à Lusa o comandante Pedro Araújo, da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).
Pedro Araújo adiantou que cerca das 07h00 de hoje ainda estava a decorrer a retirada de pessoas das localidades junto às zonas ribeirinhas do rio Mondego, face ao risco de inundações.
"Estamos a falar do deslocamento de mais de três mil pessoas. É uma operação gigantesca. Durante a noite não houve uma subida significativa, mas há um risco de os diques do rio Mondego poderem colapsar e causar inundações", disse, acrescentando que as autoridades continuam a monitorizar a situação.
Na terça-feira, o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) alertou que o rio Mondego está com "um risco claro dos diques [margens]" poderem colapsar e provocar inundações face às previsões de forte precipitação
"Há aqui um risco claro dos diques poderem colapsar. Em nome da precaução, o que é fundamental é retirar pessoas que estão nas áreas de risco", disse Pimenta Machado, que falava numa conferência de imprensa realizada em Coimbra, no final de uma reunião de emergência com autarcas da região e proteção civil local e regional.
Ainda no que diz respeito às ocorrências registadas entre as 00h00 de terça-feira e as 06h00 de hoje, o comandante da ANEPC referiu que a maioria das situações registadas foram por inundações (719), quedas de estruturas (418), quedas de árvores (267) e movimentes de massa (264).
No total, estiveram empenhados 4.843 operacionais e 2.135 veículos, indicou Pedro Araújo, acrescentando que a Proteção Civil não tem registo de vítimas.
Pedro Araújo salientou ainda o deslizamento de terras que obrigou hoje à retirada de 31 pessoas na Rua João Azevedo na Costa da Caparica, em Almada, por precaução, e que foram realojadas pelo município e em casa de familiares.
Também hoje, pelas 06:16, um deslizamento de terras na estrada nacional 378 na Charneca da Caparica, também em Almada, obrigou a retirar o condutor, que não sofreu ferimentos, de uma viatura que ficou imobilizada na via.
Contactada pela Lusa cerca das 06h30, fonte do Regimento Sapadores de Bombeiros de Lisboa disse que a "noite foi tranquila".
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) alertou na terça-feira que são esperados hoje chuva e vento por vezes fortes devido à depressão Nils, que não irá afetar diretamente Portugal continental.
Em aviso laranja, entre as 06h00 e 18h00 de hoje, estão Viseu, Porto, Vila Real, Santarém, Viana do Castelo, Leiria, Aveiro, Coimbra e Braga.
Bragança, Guarda, Castelo Branco, Portalegre, Setúbal e Lisboa estão, por sua vez, sob aviso amarelo de chuva, válido até às 18h00.
O IPMA colocou ainda Bragança, Viseu, Porto, Guarda, Vila Real, Viana do Castelo, Braga e Castelo Branco sob aviso amarelo por vento, válido entre as 12h00 e 21h00 de hoje.
Autarcas do Médio Tejo alertam para milhares sem luz 14 dias após Kristin
Autarcas do Médio Tejo alertaram hoje para milhares de pessoas e centenas de empresas ainda sem energia elétrica, criticando a lentidão na reposição e defendendo uma ação mais robusta nos concelhos de Ourém, Ferreira do Zêzere e Tomar.
"Estamos a poucas horas de completar 15 dias desde esta tempestade que arrasou os concelhos do Médio Tejo. Ainda enfrentamos muitas fragilidades, sobretudo na reposição da rede elétrica, com milhares de habitações e centenas de empresas sem energia. É urgente uma ação mais robusta capaz de resolver esta situação nos próximos dias", afirmou Manuel Jorge Valamatos, presidente da CIM Médio Tejo e da Câmara de Abrantes.
Valamatos, ladeado pelos autarcas dos três municípios do Médio Tejo mais afetados pela tempestade --- Ourém, Ferreira do Zêzere e Tomar ---, destacou que a região vive uma realidade igualmente crítica à região de Leiria, ainda hoje, 14 dias depois, com inúmeros problemas por resolver e pouca ajuda visível no terreno.
"Mesmo respeitando que Leiria tenha sido o epicentro deste fenómeno, entendemos que há outras regiões e municípios que continuam com um grau de fragilidade muito elevado, nomeadamente estes três municípios no Médio Tejo, que sentem na pele, todos os dias, a falta de reposição da energia e das telecomunicações, um elemento devastador e central", declarou.
"É tempo de dizer que alguém tem que tomar atenção e ouvir o que estamos a dizer, porque 15 dias é muito tempo para continuarmos com este problema do restabelecimento da rede elétrica na nossa região", apelou.
No concelho de Ourém, o presidente da Câmara, Luís Albuquerque, detalhou que ainda cerca de 3.600 habitações, equivalentes a mais de 7 mil pessoas, permanecem sem eletricidade.
"Temos PTs que não estão operacionais, problemas na baixa tensão e a rede fixa funciona apenas a 48%, enquanto a móvel está em 81%. É inadmissível que 14 dias depois, cidadãos e empresas continuem sem luz", afirmou.
Albuquerque explicou que o concelho registou 10 mil habitações com danos em coberturas ou anexos, e que o Parque Empresarial de Ourém contabiliza 79 empresas afetadas, com danos parciais ou totais, tendo criticado a falta de equipas no terreno.
"Reclamamos mais equipas no terreno e maior coordenação por parte das entidades responsáveis. É a economia e a vida das pessoas que está em jogo", frisou.
O presidente da Câmara de Ferreira do Zêzere, Bruno Gomes, reforçou a gravidade da situação: cerca de 2.500 habitantes - cerca de 35% da população - permanecem sem energia, e a rede de comunicações está praticamente inoperacional no concelho.
"Passados 14 dias, exigimos uma capacidade organizativa maior, com meios técnicos e equipas suficientes para restabelecer energia e telecomunicações. Muitas micro e pequenas empresas continuam sem apoio e correm risco de encerrar. É urgente clarificação sobre os meios no terreno e um planeamento robusto para restabelecer a normalidade", afirmou.
Em Tomar, a vereadora da Câmara local, Sandra Cardoso, indicou que ainda cerca de mil pessoas permanecem sem eletricidade tendo elencado as prioridades ao momento.
"As quatro prioridades são restabelecer infraestruturas, apoiar a reconstrução de habitações, atender às juntas de freguesia sobre urgências e garantir assistência social. Apesar de algum progresso, dependemos de apoios externos do Governo, que ainda não chegaram na escala necessária", disse.
O cenário social em Ourém aponta para 37 pessoas que estão realojadas e cerca de 200 tiveram que recorrer a familiares ou estruturas temporárias. Em Ferreira do Zêzere, há 29 deslocados, incluindo 19 desalojados. Os municípios destacam a necessidade de apoio psicológico e reclamam a urgência de luz e telecomunicações para cidadãos e empresas afetadas.
Também hoje, na conferência realizada na sede da CIM Médio Tejo, estiveram representantes das associações empresariais Nersant e AIP, que defenderam apoios a fundo perdido, linhas de crédito aceleradas e moratórias fiscais, reclamando a mesma atenção para as empresas situadas nos municípios do Médio Tejo afetados pela tempestade, num distrito contíguo ao de Leiria.
Desde 28 de janeiro, quinze pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados. A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal. As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
Douro regista subida considerável e espera-se "um dia difícil"
O rio Douro registou uma subida considerável durante a noite de hoje e o dia adivinha-se "difícil a nível do controle dos caudais" devido à muita chuva prevista para o Norte de Portugal e Espanha, segundo a Capitania do Douro.
"Já observamos uma subida considerável na cota da albufeira do Carrapatelo, na cidade do Peso da Régua [distrito de Vila Real]. Já atingiu os 10,7 metros, o que significa que a água já chegou à marginal. Não passou muito disso e manteve-se estável, mas já é uma cota considerável. Aqui [zonas do Porto e Vila Nova de Gaia] durante o dia temos que ir mantendo a supervisão porque continua a haver muita água", disse o comandante adjunto da capitania, Pedro Cervaens.
Num ponto de situação à agência Lusa, cerca das 07:30, o comandante adjunto da Capitania do Douro referiu que a forte pluviosidade prevista para o dia de hoje fazem este dia "merecedor de muita atenção".
"A cota no estuário também está sempre ali a rondar os 5 metros. Portanto, Miragaia [no Porto] ontem [terça-feira] já meteu um pouco de água. Nada de significativo, mas já entrou um pouco. Acreditamos que hoje pode ser também um dia difícil a nível do controlo dos caudais. Portanto, é possível que estas zonas com cotas mais baixas sofram novamente a entrada de água", alertou.
O município do Porto terá ativo até às 23:59 de domingo o Plano Municipal de Emergência de Proteção Civil (PMEPC), após o Governo ter colocado 48 concelhos em situação de contingência devido à ocorrência ou risco elevado de cheias e inundações, conforme foi noticiado na segunda-feira.
Também Vila Nova de Gaia ativou até domingo o Plano Municipal de Emergência de Proteção Civil (PMEPC), lê-se num despacho datado de sábado e publicado na segunda-feira no 'site' da autarquia.
O mau tempo com muita chuva, vento e agitação marítima levou a Capitania do Douro a ativar, na semana passada, o alerta vermelho para risco de cheias.
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) alertou na terça-feira que são esperados hoje chuva e vento por vezes fortes devido à depressão Nils, que não irá afetar diretamente Portugal continental.
Em aviso laranja, entre as 6h00 e 18h00 de hoje, estão Viseu, Porto, Vila Real, Santarém, Viana do Castelo, Leiria, Aveiro, Coimbra e Braga.
Portugal continental foi atingido no dia 27 de janeiro pela depressão Kristin, a que se seguiu a Leonardo e a Marta, que causaram 15 mortos e centenas de feridos e desalojados.
Rio já galgou margens em aldeias de Alenquer. Há localidades isoladas
Água ameaçava galgar as margens há vários dias. Esta manhã, a aldeia de Montegil acordou com a sua zona mais baixa inundada. No local, já se encontram operacionais da Junta de Freguesia para ajudar. Acessos à aldeia estão intransitáveis.
A localidade de Montegil, na Aldeia Gavinha, em Alenquer, acordou esta quarta-feira, inundada depois de o rio que passa pela localidade ter galgado a ponte de acesso à mesma.
Há vários dias que o rio apresentava um nível de água muito superior ao normal, deixando em alerta os moradores desta aldeia.
Na manhã desta quarta-feira, e após mais uma noite de chuva intensa, o pior cenário veio a verificar-se. O rio galgou a zona da ponte que dá acesso a Montegil, estrada que era, nestes últimos dias, a única via de acesso a esta aldeia.
Assim o comprovam as imagens a que o Notícias ao Minuto teve acesso e que foram registadas pelos moradores, e que pode ver acima.
Segundo nos explica um dos moradores, é possível sair da aldeia por outras estradas. Porém, não é possível ter acesso a outras aldeias, dado que estas estradas sofreram deslizamentos de terras e encontram-se "intransitáveis". Ou seja, sem a estrada que se encontra agora inundada, é possível sair de Montegil mas não é possível chegar a mais lado nenhum.
Segundo a mesma fonte, a água galgou as margens devido à própria ponte, dado que se trata de uma estrutura muito antiga, estilo romana, que por ter uma parte inferior muito larga, impede a passagem da água. Assim, com a água a correr a uma velocidade muito superior ao normal, esta acaba por embater na estrutura e galgar.
No local já se encontram operacionais da Junta de Freguesia, que estão a trabalhar para diminuir o nível da água, com sucesso.
Contudo, recorde-se, há vários avisos para que a situação possa piorar na zona de Alenquer nas próximas horas.
As autoridades estão a lançar vários alertas para a região, inclusive para o centro de Alenquer, onde moradores e comerciantes foram aconselhados a retirar viaturas estacionadas na vila baixa, junto ao Rio de Alenquer.
Pombal com inundações e cheias apela à população para evitar circular
O concelho de Pombal, no distrito de Leiria, regista hoje inundações, cheias e deslizamentos de terras devido à forte precipitação, disse à agência Lusa o coordenador do Serviço Municipal de Proteção Civil de Pombal, Hugo Gonçalves.
Segundo Hugo Gonçalves, também comandante dos Bombeiros Voluntários de Pombal, há situações relacionadas com a subida do caudal dos rios Arunca e Anços, que está a ser monitorizada.
Explicando haver habitualmente zonas do concelho que têm cheias quando o caudal do rio Arunca sobe, o responsável da Proteção Civil notou, contudo, que "o que se está a passar agora" é que há locais onde se desconhecia que "eram suscetíveis de ter cheias", mas "estão a ter".
Além daqueles dois rios, Hugo Gonçalves apontou ainda o rio Cabrunca e a ribeira de Carnide, "linhas de água importantes para o concelho que estão a ser monitorizadas".
Por outro lado, o coordenador adiantou que os terrenos "estão com muita acumulação de água, já não conseguem reter a água e, obviamente, provocam muitos deslizamentos de terra, de taludas e, inclusivamente, deslizamento de vertentes", alguns com gravidade, tendo num caso obrigado à retirada de duas pessoas de uma habitação.
Quanto a inundações, sem conseguir precisar o número, Hugo Gonçalves esclareceu que "têm sido prontamente identificadas e com a ação dos bombeiros de Pombal e com o apoio de outros bombeiros", decorrem trabalhos de "remoção de água de casas, de terrenos ou de poços de pessoas que não têm eletricidade e que não conseguem retirar a água".
À população, Hugo Gonçalves pediu para que "usem as vias [rodoviárias] o menos que puderem" e só o façam "para as situações que sejam realmente necessárias e básicas".
"Evitem deslocações, mantenham-se em casa e cumpram as orientações todas da Proteção Civil e das autoridades", apelou, notando que "os deslizamentos de vertentes e de taludes e de terras e desabamentos têm sido mais visíveis nas estradas e quanto menos pessoas circularem, melhor é para a segurança delas" e para o trabalho dos bombeiros.
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) alertou na terça-feira que são esperados hoje chuva e vento por vezes fortes devido à depressão Nils, que não irá afetar diretamente Portugal continental.
Em aviso laranja, entre as 06:00 e 18:00 de hoje, estão Viseu, Porto, Vila Real, Santarém, Viana do Castelo, Leiria, Aveiro, Coimbra e Braga.
Bragança, Guarda, Castelo Branco, Portalegre, Setúbal e Lisboa estão, por sua vez, sob aviso amarelo de chuva, válido até às 18:00.
O IPMA colocou ainda Bragança, Viseu, Porto, Guarda, Vila Real, Viana do Castelo, Braga e Castelo Branco sob aviso amarelo por vento, válido entre as 12:00 e 21:00 de hoje.
Ponte da Chamusca fecha e agrava mobilidade no distrito de Santarém
A ponte da Chamusca, na EN243, foi encerrada à circulação devido a fissuras no pavimento da estrada de acesso, agravando-se os constrangimentos de mobilidade num distrito com várias vias afetadas, devido às cheias no Tejo, alertou hoje o município.
"As cheias e a tempestade Kristin estão a afetar todo o distrito de Santarém, nomeadamente a mobilidade e a circulação rodoviária no concelho da Chamusca. A situação vem expor problemas estruturais já identificados, como a insuficiência do tabuleiro da ponte, e evidencia a necessidade urgente de concretizar o IC3 [itinerário complementar]", afirmou à Lusa o presidente da Câmara da Chamusca, Bruno Mira.
O fecho atual da ponte na Estrada Nacional (EN) 243 deveu-se inicialmente, na quinta-feira passada, à submersão do acesso à travessia, provocada pelo galgamento do Dique dos 20, do lado da Golegã.
A ponte reabriu na terça-feira, com a descida das águas, mas o pavimento revelou fissuras, levando as autarquias da Chamusca e da Golegã a interditar novamente a circulação e a chamar uma equipa técnica da Infraestruturas de Portugal (IP) para avaliação.
Enquanto não houver parecer técnico da IP, a alternativa mais próxima é a ponte da Praia do Ribatejo, em Constância, que liga a Vila Nova da Barquinha, mas impede a passagem de veículos pesados, limitando o transporte de mercadorias e serviços essenciais.
Segundo Bruno Mira, "desde que foram feitas obras de requalificação da ponte, o tabuleiro estreitou e dois camiões não se conseguem cruzar, causando graves constrangimentos não só ao concelho, mas a toda a região".
O presidente da Câmara sublinhou que o fecho da ponte "exponencia um problema estrutural antigo, que obriga a procurar soluções para o tráfego de veículos pesados", nomeadamente para o transporte de resíduos.
"Os camiões da RSTJ têm de fazer percursos muito maiores pela A1 e dar a volta por Santarém para chegar a Alcanena, Entroncamento ou Constância, com centenas de quilómetros adicionais e passagem por dentro de populações", notou, referindo-se à empresa de gestão e tratamento de resíduos da zona.
O problema local reflete-se numa realidade territorial mais ampla, com o distrito de Santarém a registar cerca de uma centena de estradas nacionais e municipais submersas, interditadas ou condicionadas devido às cheias do Tejo e afluentes.
O distrito de Santarém conta com várias travessias sobre o Tejo, entre as quais se destacam as pontes de Abrantes, Constância-Sul (Praia do Ribatejo), Santarém (duas) e a ponte da Chamusca, essenciais para a circulação de veículos e mercadorias entre as margens do rio.
Entre Abrantes, mais a norte, e Santarém, a sul do distrito, existem cerca de 100 quilómetros de distância, pelo que cada travessia tem um papel estratégico na circulação regional.
A ponte da Praia do Ribatejo, em Constância, é a alternativa mais próxima à ponte da Chamusca, mas apresenta restrições significativas, uma vez que, além da circulação alternada e regulada por semáforos, não permite a passagem de veículos pesados, o que limita o transporte de mercadorias e serviços essenciais e obriga a percursos muito mais longos para camiões.
Bruno Mira adiantou ainda ter já solicitado reunião com o ministro das Infraestruturas para discutir a concretização do IC3, uma infraestrutura prometida há mais de 20 anos, considerada essencial para a circulação segura de pessoas e bens entre os dois lados do Tejo.
"Temos que estar ativos no terreno e ter uma voz ativa para pressionar o Governo", reforçou.
O presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, também na qualidade de presidente da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo e da Proteção Civil distrital, já havia alertado para a fragilidade das travessias e da rede viária, lembrando que as atuais intempéries apenas evidenciam problemas estruturais que vêm sendo identificados há anos.
"É fundamental que o Plano Rodoviário Nacional avance com soluções estruturais como o IC3 e o IC9 para reforçar a circulação de veículos pesados e garantir alternativas seguras em situações de cheias. Estas obras não podem continuar adiadas, pois a rede viária do distrito está sobrecarregada e vulnerável, e cada episódio de intempéries evidencia a necessidade de investimentos estruturais consistentes", defendeu.
A1 desabou e vai levar "várias semanas" a recuperar. Eis as alternativas
Não é possível, neste momento, "estimar o prazo de conclusão das obras de reparação", adianta a Brisa. O ministro das Infraestruturas já disse que serão necessárias "várias semanas". Saiba quais são as alternativas até lá.
O ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, admitiu, na quarta-feira, que serão precisas "várias semanas" para reparar o troço da Autoestrada 1 (A1) que desabou após o rompimento do dique nos Casais, em Coimbra. Significa isto que são de esperar constrangimentos na circulação nos próximos tempos - quais são as alternativas?
Brisa sugere A8/A17/A25 ou IC2
No seguimento do desabamento que se verificou na A1, a Brisa sugeriu aos automobilistas a utilização de alternativas à interrupção da autoestrada no sentido Norte-Sul junto ao nó de Coimbra Sul, ao quilómetro 191, através do corredor A8/A17/A25 ou o IC2.
Num comunicado enviado às redações, a concessionária admitiu que, "não sendo possível, neste momento, estimar o prazo de conclusão das obras de reparação", está empenhada em "minimizar transtornos" e que "poderão ser usadas como vias alternativas o corredor A8/A17/A25 ou o IC2".
A BCR - Brisa Concessão Rodoviária confirmou o abatimento de parte do pavimento da plataforma da A1, no sentido Norte-Sul, na sequência da rutura de um dique do Rio Mondego, e explicou que o abatimento ocorreu "cerca de três horas após o corte total da A1, feito de forma preventiva, no sublanço de Coimbra Norte e Coimbra Sul - entre os KM 198 e KM 189 - e não representou, em nenhum momento, qualquer risco para utilizadores e trabalhadores".
A Brisa sugeriu hoje aos automobilistas a utilização de alternativas à interrupção da autoestrada no sentido Norte-Sul junto ao nó de Coimbra Sul, ao quilómetro 191, através do corredor A8/A17/A25 ou o IC2.
A rutura na infraestrutura foi motivada pelo rebentamento do dique e subsequente escavação do aterro junto ao encontro norte do viaduto C do Mondego, devido a um débito excecional de mais de 2.100 metros cúbicos de água por segundo, explica ainda a concessionária.
A Brisa fez saber que está a monitorizar o desenvolvimento da situação desde o dia 2, "com vistorias permanentes, e tem no terreno, neste momento, mais de 30 operacionais", estando a trabalhar em coordenação com as várias instituições no âmbito da proteção civil e autoridades nacionais e locais.
A A1 foi preventivamente encerrada pouco depois das 18:00 de quarta-feira em Portugal continental, nos dois sentidos, no sublanço entre Coimbra Norte e Coimbra Sul, na sequência da rutura do dique que canaliza o Rio Mondego.
O tabuleiro do viaduto da autoestrada 1 (A1) desabou na sequência do rompimento do dique nos Casais, Coimbra, adiantou à Lusa fonte da GNR.
Ministro diz que situação é "normal" face à "violência das águas"
Durante uma visita ao local, Pinto Luz sublinhou aos jornalistas "a velocidade e a violência das águas", que descreveu como "uma situação absolutamente anormal".
"Temos hoje [quarta-feira] 15 camiões com enrocamento para reforçar a quebra que surgiu. Amanhã de manhã, mais camiões vêm reforçar com enrocamento", disse Pinto Luz, citado pela emissora RTP Notícias.
O recurso a enrocamento, blocos de rocha compactados, "é a única coisa que nós podemos fazer enquanto as águas não descerem", admitiu o ministro.
Pinto Luz disse também que a fissura, no sentido norte-sul, "pode alastrar" para o outro sentido. O dirigente acrescentou que, "enquanto as águas não descerem não se pode fazer a intervenção de fundo".
"Serão seguramente semanas para conseguirmos que esta infraestrutura volte a estar ao serviços dos portugueses", disse Pinto Luz.
"O compromisso do Governo é de absoluto comprometimento com esta solução. Estamos com todos os meios mobilizados e não sairemos daqui enquanto não conseguimos com todas as equipas colocar outra vez a A1 em funcionamento", garantiu o ministro.
Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A décima sexta vítima é um homem de 72 anos que caiu no dia 28 de janeiro quando ia reparar o telhado da casa de uma familiar, no concelho de Pombal, e que morreu na terça-feira, nos Hospitais da Universidade de Coimbra.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
Dez pessoas retiradas por precaução em Sobral de Monte Agraço
Dez pessoas foram retiradas das suas casas por precaução durante a noite em Sobral de Monte Agraço, no distrito de Lisboa, devido a deslizamentos de terra e inundação, disse à agência Lusa fonte da proteção civil.
Fonte do Comando Sub-Regional do Oeste adiantou que quatro pessoas tiveram de deixar as suas habitações por precaução, na localidade de Pé do Monte, em Sobral de Monte Agraço, devido a um deslizamento de terras, que não causou feridos.
"Outras seis pessoas tiveram também de ser retiradas em Casal da Barqueira, também em Sobral de Monte Agraço, devido a risco de inundação, tendo estas sido levadas para uma estrutura de turismo rural", indicou.
De acordo com a mesma fonte, durante a noite foram registadas várias ocorrências devido à chuva forte, estando alguma vias interditas em alguns troços por inundação.
"Temos a Estrada Nacional (EN) 8 interdita na zona do Bombarral entre os quilómetros 75,3 e 76,3 e entre o quilómetro 1,3 e 3 em Fervença, Alcobaça, devido a inundação. A Estrada Nacional 361 está também cortada ao quilómetro 11 na Lourinhã devido a um deslizamento de terras", disse.
A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) advertiu na quinta-feira para um agravamento das condições meteorológicas, que pode ter um impacto significativo na região da Grande Lisboa e na Península de Setúbal.
Suspensos comboios de longo curso entre Porto e Lisboa
Os comboios de longo curso na Linha ferroviária do Norte entre o Porto e Lisboa foram suspensos por razões de segurança devido ao agravamento do estado do tempo e sem previsão de retoma, segundo a CP.
Na quinta-feira, às 20h00, a CP tinha informado que previa retomar parcialmente hoje oito comboios de longo curso, quatro por sentido, entre Porto e Lisboa, com recurso a material circulante diferente do habitual e a transbordo rodoviário entre Coimbra B e Pombal.
"Devido ao agravamento do estado do tempo, com risco de cheias na região de Coimbra, por razões de segurança, foram suspensos, sem previsão de retoma, os serviços de longo curso, na Linha do Norte, no eixo Porto-Lisboa", informou a CP pelas 23h30 na rede social Facebook.
Por causa do mau tempo, a circulação ferroviária está suspensa na Linha do Sul entre Luzianes e Amoreiras, na Linha do Alentejo, entre Pegões e Bombel, na Linha e na Linha da Beira Baixa entre Abrantes e Ródão, na Linha do Douro, entre Régua e Pocinho, Linha do Oeste e Urbanos de Coimbra.
Na Linha de Cascais, os comboios circulam com alterações nos horários.
A CP continua a prever para hoje a realização do Comboio Internacional Celta, podendo "ser usado material circulante diferente do habitual e sendo que o percurso Valença - Vigo - Valença será feito com recurso a transbordo rodoviário".
Portugal continental está a ser atravessado por "um sistema frontal associado a uma região depressionária centrada a norte da Península Ibérica (depressão Oriana), segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Esta depressão não afeta Portugal continental diretamente uma vez que o seu desenvolvimento já se fará em território espanhol", mas traz períodos de períodos de chuva, por vezes forte, e vento com rajadas até 80 quilómetros por hora, e agitação marítima.
Risco de evacuação em Coimbra mantém-se até ao final do dia
A situação dos caudais do Mondego esteve mais estável hoje de manhã, mas o risco de evacuação da baixa de Coimbra mantém-se até ao final do dia, disse hoje a Proteção Civil.
Em Carnaxide, Oeiras, o comandante nacional de Proteção Civil, Mário Silvestre, destacou que a precipitação foi "um pouco menos intensa" do que o previsto, pelo que a situação no Rio Mondego está estável.
"Não estamos, de alguma forma, a dizer que não vamos ter problema. Estamos a dizer que, neste momento, e com base naquilo que aconteceu durante a noite, temos aqui uma situação um pouco mais estável, menos gravosa. Mas o risco de podermos ter de vir a evacuar a zona baixa de Coimbra mantém-se até ao final do dia de hoje", disse.
No caso do Rio Tejo, segundo Mário Silvestre, continuam a verificar-se afluências "também muito significativas", embora haja um decréscimo das descargas das barragens espanholas.
"Os caudais vão manter-se elevados durante todo o dia e, portanto, será uma situação que continuaremos a avaliar em virtude da precipitação que tivemos e vamos continuar a ter", afirmou, destacando que esta situação vai ter impacto no que vai acontecer no Rio Sorraia.
Também o Rio Sorraia e o Sado se mantêm ainda "com risco significativo de inundações".
Em risco "não significativo" de inundação estão os rios Minho, Coura, Lima, Cavado, Ave, Douro, Tâmega, Sousa, Vouga, Águeda, Lis, Nabão e Guadiana.
Mário Silvestre destacou que, por isso, os cidadãos devem manter "comportamentos seguros", para anteciparem estes problemas que possam surgir.
Para hoje, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), está prevista precipitação ainda significativa, embora as previsões apontem para uma diminuição gradual da frequência, com vento forte em algumas regiões, sobretudo nas terras altas, com rajadas entre os 80 e os 100 quilómetros, além de agitação marítima forte na costa ocidental e também com probabilidade de queda de neve nos pontos mais altos, nos 800 a 1000 metros.
Cerca de 3.000 m3/s em Coimbra será "improvável" (e catastrófico)
O especialista em hidráulica Alfeu Sá Marques considerou hoje improvável que o açude-ponte de Coimbra possa chegar a um caudal de 3.000 metros cúbicos por segundo (m3/s) e notou que isso seria catastrófico para a cidade e para o Baixo Mondego.
Aludindo ao alerta feito na noite de quinta-feira pela presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa, sobre a possibilidade de o caudal do Mondego chegar aos 3.000 m3/s e inundar a baixa da cidade, Alfeu Sá Marques notou que, nas últimas horas, ao contrário do que as previsões sugeriam, o caudal de saída da barragem da Aguieira tem vindo a baixar.
Segundo os dados consultado pela Lusa no portal Info Água, a Aguieira - que atingiu 99,1% de capacidade na manhã de quinta-feira - estava, pelas 11h00 de hoje, nos 90,5%, com um caudal de saída (efluente) em redor dos 947 m3/s, ligeiramente superior aos 915 m3/s do caudal que entrava (afluente), ou seja, a libertar um pouco mais de água do que aquela que recebia.
Já o Rio Ceira, afluente da margem esquerda, debitava para o Mondego um caudal de 346 m3/s à mesma hora e o Alva cerca de 250 m3/s, valores que concorriam para que o caudal da Ponte-Açude de Coimbra - infraestrutura localizada a 40 km a jusante da barragem da Agueira - rondasse os 1.650 m3/s.
Na Ponte-Açude, o caudal do Mondego atingiu um máximo de 2.105 m3/s às 16h00 de quarta-feira - sensivelmente duas horas antes de ruir o dique da margem direita do Mondego que levou, depois, à queda de parte do tabuleiro da autoestrada 1 (A1) -, esteve em redor dos 2.000 m3 na madrugada de quinta-feira e tem vindo a baixar consistentemente, situando-se, pelas 10:00, nos 1.646.
O docente de engenharia civil jubilado da Universidade de Coimbra, especialista em hidráulica, recursos hídricos e ambiente, lembrou outras previsões, há alguns dias, de que a Aguieira poderia chegar a ter de libertar 2.000 a 2.500 m3/s, o que não aconteceu, tendo ficado pelos 1.231 m3/s máximos às 23:00 de quinta-feira.
"Com esses valores, seria perfeitamente possível [os 3.000 m3/s], porque ainda há o Ceira, o Alva e a bacia intermédia. Mas não sucedeu e é improvável que venha a suceder", reforçou.
Alfeu Sá Marques, destacou, a esse propósito, "e contrariamente ao que sucedeu noutros anos", o que disse ser uma gestão "quase exemplar" da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), durante as últimas duas semanas, no controle dos caudais do Mondego.
No entanto, admitiu que essa margem de controle dos caudais, face à precipitação constante, "foi-se estreitando nos últimos dias", tendo levado a capacidade de armazenamento da Aguieira até aos 99%.
"A partir dessa cota, a Aguieira tem de lançar água. E eu prefiro ter mais água da Aguieira, do que ter a Aguieira por aqui abaixo, com uma rotura", ilustrou o especialista em hidráulica.
"E a não ser que existam modelos de precipitação persistente, ao quais não tenho acesso, que levem o caudal da Aguieira para os 2.500 m3/s (que é quase o máximo, ao nível de descargas de emergência), valores desses seriam uma situação limite, antes que [a barragem] parta vamos tirar a água toda. Mas descarregar um volume desses não é brincadeira [até pelos efeitos que poderia provocar no vale], aliás viu-se, demoraram duas horas para descarregarem relativamente pouco", argumentou Alfeu Sá Marques.
Explicou que apesar do caudal máximo dos dois descarregadores de cheias da Aguieira ser de 2.080 m3/s, numa situação de emergência a barragem "pode continuar a turbinar e descarregar pela descarga de fundo", um máximo de 180 m3/s e pelas próprias três turbinas de produção de energia.
"E, depois, tudo depende da água que aflui à barragem. Se chegar acima dos 2.500 m3/s não se consegue baixar o armazenamento", acrescentou.
"Chegarem 3.000 m3 por segundo a Coimbra é uma calamidade. Deixa de passar pelo descarregador [da ponte-açude] e começa a passar pelos lados e não se consegue garantir a segurança absoluta. Foi prudente e avisado a atitude da professora Ana Abrunhosa [em lançar o alerta]. Mas tenho muitas dúvidas, com os dados que tenho de previsão, que se chegue aos 3.000 metros cúbicos por segundo, é altamente improvável. Mas chegarmos a isso ou acima, concordo com a professora Abrunhosa, é uma calamidade para a cidade. E para baixo [para o Baixo Mondego] nem se fala", avisou Alfeu Sá Marques.