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Notícias Norte-americana foi despedida por exigir dormir oito horas por noite

Lordelo

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Uma funcionária norte-americana foi despedida do emprego como analista de mercado por exigir dormir entre oito a nove horas por noite. A empresa para a qual trabalhava alegou que esse horário de descanso não era compatível com o trabalho.


O caso aconteceu em 2020, durante o verão, quando Kathryn Shiber começou a trabalhar para a Cewterview Partners, uma empresa de consultoria que se especializa em Fusões e Aquisições.


Shiber, conta o Financial Times, entrou na empresa como analista júnior e, devido à natureza das funções, acabou por trabalhar vários dias seguidos depois da meia-noite.


Exausta das longas horas, num dia em agosto, decidiu dar por terminado o dia de trabalho por volta desta mesma hora. Nesse dia, contudo, não avisou os dois membros sénior que estavam a trabalhar com ela na mesma tarefa. No dia seguinte, foi chamada à atenção.


Inconformada, Shiber dirigiu-se aos recursos humanos com um pedido simples: precisava de dormir nove horas por noite. A jovem de 21 anos nem alegava o simples motivo de descanso. Tinha, na verdade, perturbações de humor e ansiedade que exigiam que tivesse uma noite de repouso de forma a não agravar a sua saúde mental.


A empresa acomodou as necessidades de Shiber, mas não sem impôr as suas condições. A jovem estava dispensada de trabalhar entre a meia noite e as 9h00, mas em troca teria de estar disponível em qualquer horário sete dias por semana.


Shiber concordou, mas nem um mês depois a empresa mudou de ideias. E-mails obtidos pela equipa da jovem mostram que a Centerview acreditava que a incapacidade de Shiber de trabalhar durante a madrugada não só comprometia o desenvolvimento da própria enquanto profissional, como também punha em causa os projetos empresariais.


Os advogados de Shiber defendem que o acordo inicial entre as duas partes era mais do que razoável. A empresa, por sua vez, alega que horas erráticas são um componente crucial do trabalho de um analista.


"Os banqueiros juniores obviamente não precisam de autorização para ir dormir, mas espera-se que trabalhem em conjunto e comuniquem adequadamente com os colegas de equipa", escreveu a Centerview em comunicado.


Para além disto, a empresa alega que a solução apresentada a Shiber era apenas de curta-duração e que, rapidamente, ficou claro que não poderia ser permanente. Não havia "acomodação razoável possível", defende, que permitisse que a jovem conseguisse oito a nove horas de sono consistente todas as noites. É "uma consequência do trabalho como um banqueiro de investimento".


O caso chegou a tribunal, através de uma queixa de Shiver, que invocou a Lei dos Americanos com Deficiência para abrir um processo judicial contra a Centerview por discriminação.


Por norma, explica a diretora do programa de Direito e Política da Deficiência da Faculdade de Direito da Universidade de Syracuse, Katharine Macfarlane, os casos assentes nesta lei nem chegam a sair do papel, com os juízos a rejeitarem estas ações judiciais. Este caso foi diferente.


O juiz federal Edgardo Ramos permitiu que o caso avançasse considerando que "há uma disputa genuína sobre se a capacidade de estar disponível a todas as horas do dia e de trabalhar durante muitas horas irregulares é uma função essencial do cargo de analista".


No processo, Shiber exigia o pagamento dos salários que iria receber ao longo dos próximos dez anos, se continuasse na empresa, os ordenados em atraso e ainda uma indemnização por danos emocionais. A jovem argumentava que o despedimento tinha arruinado, de forma permanente, a sua carreira.


O caso, que iria chegar esta segunda-feira a tribunal, acabou por ser resolvido à porta fechada. Segundo a CNBC, Shiber e Centerview chegaram a um acordo. Os detalhes não foram revelados publicamente.

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